domingo, 23 de outubro de 2011

FOTOS NÃO SÃO RETRATOS...


FOTOS, CARROS E BIKES EM PELOTAS



Valorizo muito a qualidade dos fotógrafos de Pelotas: Chico Madrid, Vilmar, Laureano, Ramalho, Moizés... e Paulo Rossi é um bom profissional, mais em esta ocasião acho que a foto não foi um bom retrato. A sua foto no Diário Popular de dia 22 de outubro de 2011, na página 5, é como pouco infeliz, assim como desacertados os comentários que aparecem junto a ela falando da suposta imprudência do ciclista. Normalmente conheço essa situação de conflito entre carros e bikes e não são os ciclistas os que agridem aos carros. O uso do pisca-pisca é raridade e o uso do farol de neblina (proibido pela lei) é normal até em veículos de supostos motoristas profissionais . A foto de Rossi não fala da velocidade da camionete nem do tempo antecipado do uso do pisca. Podemos apostar que o ciclista não ia a mais de 40 km/h de velocidade. De todo isto eu presumo que o bom fotógrafo Rossi não é fã do Tour de France e que a noticia é feia depois da morte de cidadãos ciclistas nos últimos dias. Não é bom ser juiz de cada acidente para isso esta a polícia. Na foto pode-se ver um carro fechando uma bike...

Nos países da Europa e da Ásia, o ciclismo além de ser um esporte é um meio de transporte utilizado de forma constante pelos cidadãos. Capitais como Paris, Londres, Madri, Barcelona, Roma ou Tókio privilegiam seu uso como antídoto aos engarrafamentos e à poluição que os carros produzem. Esse comportamento se vê refletido em atitudes e leis que têm por objetivo promover e aperfeiçoar ainda mais seu uso. Assim, a noticia de que desde o mês de maio pedestres e ciclistas já têm prioridade sobre os veículos automotivos é um exemplo e significa um avanço e o reconhecimento de que são cidadãos que exigem Respeito.

Aqui em Pelotas, tudo parece que está a favor do uso da bicicleta. A topografia da cidade, a proximidade da praia do Laranjal, as distâncias entre as universidades e a rodoviária, além de alguns antigos corredores usados como ciclovias, se somam a novas vias destinadas aos ciclistas, fruto da demanda popular. Mas isso não é suficiente, especialmente se a mentalidade dos motoristas não mudar e se adaptar à realidade de convivência e de respeito necessária no trânsito da nossa cidade. Para isso é bom lembrar que há várias premissas a serem observadas para ultrapassar a um ciclista sem se tornar um assassino: O pedestre e o ciclista são cidadãos que têm direito à vida. Nossos familiares e nós mesmos somos ocasionalmente pedestres e ciclistas e podemos morrer facilmente num acidente contra um carro. Respeitar ciclistas e pedestres não custa nada. Pedreiros, arquitetos, professores, médicos, bancários, trabalhadores em geral, pais de família, gremistas ou colorados, Xavantes ou Pelotas têm direito a se deslocarem a pé ou de bicicleta. Não merecem o desrespeito de motoristas apressados ou bêbados que, às vezes, passam por cima deles.

Por isso seria bom apontar algumas possíveis soluções: Andar na velocidade adequada pela cidade, que não é um circuito de rally. Não beber álcool quando se tem que dirigir. Usar os espelhos retrovisores. Lembrar que o pisca-pisca não é um item opcional, devendo ser usado para sinalizar manobras. A distância a ser mantida entre carro e bicicleta durante uma ultrapassagem deve ser ampla, 1,5 mts é a distancia obrigatória por lei, de forma a não encostar no ciclista, que corre o risco de cair. Em resumo, somente um pouco de respeito já é antídoto para que na cidade ou na estrada o motorista possa conviver com o pedestre e o ciclista sem se tornar um assassino. As fotos, às vezes, não retratam a realidade.



Juan-Carlos Lozano Guzmán

Professor de Espanhol, ciclista e motorista profissional CNH cat. E